A educação familiar e a moral na Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”

Em documento datado de 19 de março de 2016, intitulado Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Laetitia” (a “Alegria do Amor”), publicado pelo Vaticano, são apresentadas abordagens sobre variados temas relativos à família, como matrimônio, crises, divórcio, filhos, educação, sentimentos, sexualidade, moral e ética, entre outros.

Ao tratar do reforço à educação de crianças e adolescentes, discussão feita no capítulo VII, a Exortação mostra que os pais necessitam da escola para propiciar instrução aos filhos, mas não podem delegar totalmente a formação moral. Seu compromisso inclui uma educação da vontade, o desenvolvimento de tendências para o bem e o propósito de gerar confiança nos filhos, “com o carinho e o testemunho”.

A formação moral deve realizar-se com métodos ativos e com diálogos que unam a sensibilidade e a linguagem dos filhos, de modo que estes possam descobrir a importância de determinados valores e perceber o quanto é conveniente para eles mesmos o agir de modo correto. É necessário sensibilizar a criança e o adolescente para que percebam que os atos indevidos têm consequências.

No processo educativo, a disciplina deve se transformar em um estímulo para a pessoa ir adiante, ser um limite construtivo no caminho a ser empreendido. Os adolescentes precisam entender que os valores são cumpridos por pessoas exemplares, mas se realizam de forma imperfeita e em diferentes graus. O ensinamento deve ocorrer de modo gradual, sem aplicar metodologias rígidas e imutáveis, em conformidade com a psicologia e as ciências da educação.

É importante que a criança entenda que pode cuidar de si mesma, pois enriquece a autoestima. Mas isso não significa que ela se comporte como pessoa adulta. A finalidade é reconhecer a sua capacidade de desenvolver-se de modo pleno.

É também papel da família promover o reconhecimento mútuo, repensar os hábitos de consumo e transformar momentos difíceis – como os casos de doença, por exemplo – em situações educativas, despertando a sensibilidade diante do sofrimento do outro.

O documento chama atenção para a necessidade de uma linguagem nova e mais adequada no diálogo com crianças e adolescentes. Necessário se faz o uso correto das tecnologias da comunicação, uma vez que não substituem o diálogo presencial e o contato físico.

A educação sexual

Os jovens precisam perceber a sobrecarga de estímulos e as mensagens que não contribuem com o seu amadurecimento. Assim, é possível cultivar o impulso sexual num processo de conhecimento de si mesmo e de autodomínio, evitando a banalização da sexualidade.

Conforme o documento, as expressões “proteger-se” e “sexo seguro” transmitem um sentido negativo sobre a procriação, como se as pessoas precisassem se proteger de um possível filho. Consta que é leviano utilizar a outra pessoa como objeto para compensar carências. Daí a necessidade de uma comunicação rica de significações, além do amor, da doação mútua e da ternura. Este é o caminho para uma doação íntegra e generosa que se expressará na entrega dos corpos. Desse modo, a união sexual no matrimônio é considerada o “compromisso totalizante”.

A educação sexual deve incluir a valorização da diferença, mostrando a possibilidade de se abrir à aceitação do outro e enriquecer-se mutuamente. Na configuração do modo de ser (masculino ou feminino), convergem os fatores biológicos, os aspectos culturais, a história familiar, a formação, influências de amigos e as vivências próprias de cada ser humano.

A Exortação Apostólica compreende que é difícil pensar a educação sexual num contexto em que se tende a banalizar a sexualidade. Defende que os jovens sejam preparados para procurar as influências positivas e resguardar sua interioridade como defesa natural. Ao mencionar a linguagem do corpo, afirma que conhecê-la requer uma aprendizagem cuidadosa para interpretar e educar os desejos. E mostra que é necessário aceitar e ter apreço pelo próprio corpo para que a pessoa possa reconhecer a si mesma no encontro com o outro, que é diferente.

Redação: AtoEscrito.com

REFERÊNCIA

PAPA FRANCISCO. Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Laetitia”. Roma: Tipografia Vaticana, 2016.

 

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