Amor, respeito e dedicação às crianças indianas

No mês em que se comemora o dia da criança, destacamos o trabalho de Om Prakash Gurjar, cuja história de vida se tornou conhecida por sua experiência no trabalho forçado e pela dedicação para proteger a vida de muitas crianças.

Ele nasceu no Rajastão, maior Estado da Índia em extensão geográfica, em  1992. Aos cinco anos, foi forçado a trabalhar em uma fazenda com sua família, pois seu pai devia certa quantia ao proprietário e não tinha como pagar.

O menino trabalhava com animais e colheitas. Naquele cotidiano, tentava entender por que outras crianças iam à escola e ele não. No dia 15 de abril de 1999, após dois anos em tal condição, foi descoberto por ativistas do Bachpan Bachao Andolan (BBA), que atuam para conscientizar as pessoas da necessidade da educação, combater o trabalho forçado e a escravidão infantil.

Em sua narrativa, Om Prakash mostra que o momento foi difícil, pois os patrões e mesmo seus pais não compreendiam o fato de criança ter direitos e que o trabalho infantil é um erro. Com o empenho dos ativistas em seu favor, ele foi liberado.

Após deixar a fazenda, foi para Bal Ashram, um centro de reabilitação destinado aos cuidados de crianças em situação como a sua. Lá, sentiu-se valorizado por estar em um ambiente onde era permitido que expressasse sua opinião, foi aprendendo que há leis que protegem crianças em todo o mundo e que a sociedade é responsável pela implementação dos padrões de vida relativos aos direitos infantis.

Recebia atenção, cuidados e informação, o que foi lhe deixando ansioso por aprender cada vez mais e motivado pelo desejo intenso de ajudar a outras crianças. Sua ação não tardou a acontecer.

A escola pública onde foi estudar cobrava uma taxa às famílias. Ele tinha lido que escolas públicas são gratuitas. Levantou a questão e solicitou a ação cabível. A Justiça decidiu que a instituição restituísse o dinheiro aos pais. Este caso tornou-se conhecido pela Comissão de Direitos Humanos do Rajastão.

Om Prakash resolveu estimular as crianças dos distritos de Dausa e Alwar a reivindicarem seus direitos e realizou campanhas por registros de nascimento, o que fez com que várias delas conseguissem este documento, abrindo caminhos para a conquista de outros direitos.

Passou a atuar junto à BBA para combater o trabalho infantil e libertar crianças escravas na Índia. Em 2006, foi homenageado com o Prêmio Internacional da Criança, concedido aos jovens mais influentes do mundo, entre os quais encontra-se Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz em 2014, e a brasileira Mayra Avellar Neves, Prêmio Internacional da Criança em 2008. O evento ocorreu na Holanda, uma iniciativa da Fundação KidsRights, em sua décima edição. Essa organização apoia e capacita crianças vulneráveis em vários países, levantando fundos para projetos locais em pequena escala.

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O jovem indiano dirige uma escola para filhos de trabalhadores migrantes no campus da Universidade Poornima, instituição que o apoia e onde ele estuda Computação.

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Por meio do trabalho educacional procura construir novas chances de vida e novas mentalidades. No vilarejo onde nasceu e cresceu, a noção de direitos e valores é algo muito frágil. Quando nasce um menino, as avós demonstram a alegria da família batendo um prato de metal à porta de suas casas. Quando nasce uma menina, as mulheres da família quebram um jarro, também à entrada da casa. Esse mesmo ato ocorre quando alguém morre, pois simboliza a tristeza. A diferença dos valores atribuídos aos meninos e às meninas é algo definido logo no início da vida. São práticas como esta, bem como seu significado, que Om Prakash busca romper.

As iniciativas deste jovem muito contribuem no sentido de mostrar à Índia e às outras nações que a realização dos direitos da criança é fundamental para o seu desenvolvimento, seu bem-estar e para a criação de um mundo de paz e equidade. Todos têm o dever de garantir às crianças educação, saúde e proteção. Para enfrentar os desafios, os governos e a sociedade precisam estar unidos por meio de ações concretas, investimentos criteriosos e a participação de profissionais verdadeiramente comprometidos com seus trabalhos. Assim se constrói o mundo da criança.

Redação: AtoEscrito



REFERÊNCIAS

GURJAR, Om Prakash. Minha identidade, meus direitos: de trabalhador infantil a ativista pelos direitos da criança. In: UNICEF. Situação Mundial da Infância.  Celebrando 20 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança. Nova York, 2009.

“Eu devo a minha existência a Kailash Satyarthi”. Entrevista com Om Prakash Gurjar.  22 dez. 2014. Disponível em: http://www.rediff.com. Acesso em: 04 out. 2016.

IMAGENS: rediff.com; 5050×2020.org

 

 

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