Rafaella Ryon cria personagens transgêneros para games

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Ela sempre gostou de desenho animado, quadrinhos, games e ilustrações em geral. Desde criança, gostava de transpor para o papel aquilo que era de seu interesse, procurava aperfeiçoar e, com o decorrer dos anos, chegou o momento em que percebeu que poderia fazer do desenho uma atividade profissional.

Rafaella Ryon nasceu em Patos (PB) e mora em Campina Grande, onde frequentou a UFCG para cursar Arte e Mídia. Nessa cidade fica seu estúdio, o Ninja Garage. Trabalhando em projetos independentes e com empresas, sua produção inclui mangá, arte sequencial, ilustrações para livros de RPG, ilustrações em livros didáticos e games.

Ela afirma ter sido influenciada por Ayami Kojima, conceituada ilustradora japonesa que teve seu trabalho bastante conhecido na série de videogame Castlevania. Muito do traço da artista paraibana foi influenciado por mangás; inclusive, foi com o desenho oriental que ela se tornou conhecida no meio artístico do seu estado. No ano de 2009 recebeu uma menção honrosa no “3rd International Manga Award”, pelo quadrinho “Pequena Loja dos Horrores”, publicado na revista Tokyoaki. Trata-se de um prêmio concedido pelo governo japonês para quem desenha mangá fora do Japão.

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Sobre o processo criativo, o traço de desenho e composição se dá de acordo com a necessidade de estender técnica e estilo. Se há um cliente, a artista recebe referências, aproxima-as de seu estilo, considerando as guias estipuladas para determinados trabalhos, e faz esboços que atendam às exigências de ambos. Em seguida, finaliza e coloca as cores. Em um trabalho autoral, há pouco planejamento e bastante espontaneidade.

Algo frequente em sua produção é a presença de andróginos. Desde criança, Rafaella observava personagens de desenhos ou filmes que revelavam algum traço ambíguo no visual, a exemplo de o Vingador, de A Caverna do Dragão, e o personagem de David Bowie no filme Labirinto.

Tendo em vista criar um game com temática feminista, surgiu uma versão feminina de Sir Perceval, da lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda.

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Uma das inspirações para a criação da personagem veio de um antigo anime, denominado Rosa de Versailles. Oscar, a protagonista, é uma mulher que usa roupas masculinas, pois foi criada como menino pelo pai.

Entre os seus projetos mais recentes, estão os protagonistas do jogo Massive Madness, desenvolvido em parceria com seu marido e colega de trabalho, Dinart Filho, com previsão de ser lançado no próximo ano. Na tentativa de explorar gênero e representatividade nos jogos, foram criados personagens transgêneros não binários, ou seja, não se identificam com o gênero masculino ou feminino. Tess tem cabelos loiros e olhos azuis; usa um maiô com decote, mas não tem mamas para mostrar. Paris tem corpo feminino; usa um top e um short vermelhos, tem rosto másculo e bigode de responsa. Há uma terceira personagem, Calavera, uma caveira. Portanto, também não tem gênero definido.

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O jogador assume o papel de Tess, Paris e Calavera, donas de um salão de beleza. Há uma cobiçada cadeira de cabeleireiro com várias utilidades e praticamente impossível de ser substituída. Sabotado, o móvel explode e as peças ficam espalhadas por cenários que compõem a cidade do game. Cada peça confere poderes sobrenaturais a seu detentor e todas acabam nas mãos dos vilões da história, os chefões. Quando descobrem quem sabotou a cadeira, as proprietárias do salão partem em busca das peças.

Com Massive Madness, Rafaella se distancia do mangá e se aproxima do cartoon. Compreende que não há como ignorar o preconceito e enfrenta o desafio de colocar em protagonismo a representação trans em um game.  É um desafio também trabalhar com arte 3D, algo que ainda não tinha feito.

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A previsão é que o jogo seja lançado no próximo ano. Enquanto aguardamos, podemos apreciar outras criações da jovem paraibana, que se considera mais uma ilustradora do que artista 3D ou animadora, embora sinta imensa satisfação em fazer qualquer um desses trabalhos.

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Redação: AtoEscrito



FONTES 

IZIDRO, Bruno. A arte que não discrimina gêneros, de Rafaella Ryon. 31 de maio 2016. Disponível em: http://www.redbull.com. Acesso em: 26 de julho de 2016.

LADY’S COMICS. Entrevista – Rafaella Ryon. 6 de outubro de 2010. Disponível em: http://ladyscomics.com.br. Acesso em: 26 de julho de 2016.

PEREIRA, Eduardo. Massive Madness: neon, caveiras e um recado bem dado sobre diversidade. 21 de julho de 2015. Disponível em: judao.com.br. Acesso em: 28 de julho de 2016.

Crédito das imagens: Rafaella Ryon

One thought on “Rafaella Ryon cria personagens transgêneros para games

  1. Adorei o texto, super bem escrito e retrata bem o perfil criativo e inovador de Rafaella, que conheço há muito tempo, aliás a criatividade é um forte traço em sua família. Parabéns Rafaella você merece o reconhecimento do seu trabalho, pelo amor e empenho que tem em cada arte sua!

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