Cientistas apresentam resultado de estudo sobre o esqueleto do elefante Jumbo

A imagem que dá início ao post traz o naturalista David Attenborough, que coordenou um estudo sobre o elefante Jumbo, nascido no antigo Império Etíope, em 1861. Quando capturado, foi levado para o zoológico do Jardim das Plantas de Paris; em 1865, foi transferido para o zoológico de Londres como seu primeiro elefante africano. Na capital inglesa, era bastante conhecido e recrutado para divertir crianças e adultos, passeando com eles nas costas; na época, uma prática vista sem qualquer preocupação com sua saúde.

Chegou o momento em que foi vendido para o circo americano Barnum & Bailey. O animal se tornou famoso também nos Estados Unidos, lotando, por várias vezes, o Madison Square Garden, na cidade de Nova Iorque. Chegou mesmo a inspirar um dos filmes famosos da Disney: Dumbo, estreado em 1941, e que conta a história de um elefante bebê que tem a capacidade de voar.

Jumbo, que era manso durante o dia, tinha fortes acessos de raiva à noite. Há relatos que indicam que algum cuidador lhe dava bebida alcóolica, uísque, para tentar acalmá-lo. Sua vida foi breve, 24 anos apenas. A morte aconteceu por acidente na linha do trem, quando ele e um elefante mais novo viajariam, partindo da cidade de Santo Thomas, em Ontário, Canadá. A versão do dono do circo é que Jumbo teria se jogado para proteger o elefante menor. A outra versão é que ele tropeçou e caiu, sendo atropelado em seguida.

E por que sua história vem à tona agora? É que um documentário da rede BBC, apresentado neste mês de dezembro, mostrou o resultado de um estudo do esqueleto desse animal. A pesquisa foi feita pelo naturalista britânico David Attenborough e outros cientistas.

Richard Thomas, arqueólogo da Universidade de Leicester, Reino Unido, detectou uma sobreposição incomum de camadas de ossos novos e velhos nos quadris, lesão que deve ter sido muito dolorosa e que resultou do peso por ter conduzido visitantes a passeio. Foram observadas lesões também nos joelhos, visto que as modificações encontradas não ocorreriam em um elefante de sua idade. Seus ossos aparentavam 40 ou 50 anos.

Os violentos ataques de fúria que aconteciam à noite faziam com que o animal, algumas vezes, quebrasse suas presas. A pesquisadora Vicki Fishlock esclarece que esse comportamento não tem relação com a questão hormonal, pois, se assim fosse, Jumbo seria agressivo também com seus cuidadores, algo que não ocorria.

Os cientistas identificaram malformações nos dentes, problema que resulta da carência de nutrientes no organismo; essa situação causava forte dor de dente, manifestando-se com mais sensibilidade à noite, visto que era o momento que não havia distrações. O estudo dos ossos revelou que sua altura era 3,45 metros (do ombro ao chão); mesmo assim, ainda estava em fase de crescimento e poderia ter sido o maior elefante de origem africana do mundo.

O corpo do animal foi preservado pela Universidade Tufts, em Massachusetts,  Estados Unidos, mas um incêndio o comprometeu, com exceção da cauda. Esta parte foi analisada por Holly Miller, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, para saber sobre a qualidade da dieta. O estudo revelou grandes níveis de nitrogênio nos pelos, algo que indica que a alimentação necessitava de nutrientes. Uma foto revela marcas profundas no quadril, indicando que o trem o atropelou por trás. O esqueleto não apresenta fraturas; assim sendo, os pesquisadores concluíram que ele teve uma hemorragia interna.

O esqueleto encontra-se no Museu de História Natural de Nova York. O tratamento inadequado, detectado no estudo, não é muito diferente do que ocorre a outros. Em visita a um ambiente no Tennessee, nos Estados Unidos, onde se encontram elefantes de circo que não atuam mais, David Attenborough observou que eles apresentam sintomas semelhantes aos de Jumbo, como presas desgastadas, agitação e estresse.

Como ocorreu ao elefante africano, os maus tratos impostos pelo homem aos animais, como forma de satisfazer sua vontade, é algo antigo na história da humanidade. E, mesmo em nossos dias, situações como o tráfico, que atinge animais silvestres em perigo de extinção, as péssimas condições de transporte a que muitos são submetidos, a clausura em gaiolas, as explorações aos animais de circo, o abate feito de modo cruel, como ocorre àqueles utilizados como alimento e a farra do boi, entre outros exemplos, sinalizam que muitas pessoas desconhecem os direitos dos animais; há aqueles que não sabem que podem intervir ou não se sentem encorajadas a denunciar.

As variadas ocorrências revelam que se faz necessário um maior compromisso com a educação dos cidadãos para que se percebam como sujeitos capazes de contribuir com as associações protetoras e vejam os animais como seres com direito à vida e à dignidade.

Redação: AtoEscrito 

Crédito das Imagens:

Destacada: Humble Bee Films. As demais: Wiki Commons.



REFERÊNCIAS 

BBC. A trágica história de Jumbo, o elefante mais famoso do mundo, que inspirou Disney e apelidou avião.  20 dez. 2017. Disponível em: http://www.bbc.com. Acesso em: 25 dez. 2017.

pt.wikipedia.org

 

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