Desenvolvimento Sustentável: a preservação da natureza

A preocupação com o desenvolvimento sustentável foi algo expressivo na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada na cidade de Estocolmo, Suécia, no ano de 1972. A ênfase na defesa do meio ambiente foi resultado de um despertar da consciência ecológica em nível global, que procurou ir além das questões de âmbito local ou regional. Frente às discussões entre os representantes de várias nações, prevaleceu um consenso mediante o qual foram assinalados os limites da racionalidade e os desafios de um projeto civilizatório da modernidade.

Conferência de Estocolmo

Os países do Primeiro Mundo, num certo estágio de seu desenvolvimento industrial, tiveram que considerar a perspectiva de escassez dos recursos naturais, surpreendendo-se diante das limitações do meio ambiente quanto à destinação final dos rejeitos (sólidos, líquidos e gasosos), seja no processo industrial ou nos hábitos de consumo da população.

O Relatório “Limites do Crescimento Econômico”, elaborado pelo Clube de Roma, causou impacto no mundo científico. Conforme Diaz (2002), o Relatório informa que chegaríamos ao limite do desenvolvimento global antes de cem anos, caso não mudássemos as tendências sociais e econômicas.

A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente, instituída em 1984, deu um passo importante nas discussões sobre problemas ambientais. Como mostra Leff (2001), essa comissão tinha por objetivo avaliar os avanços da degradação ambiental e a eficácia das políticas para enfrentá-los. Após três anos de estudos, os representantes divulgaram o documento “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como Relatório Brundtland. Esse documento difundiu o termo desenvolvimento sustentável, que defende o seguinte conceito: é aquele capaz de satisfazer às necessidades das gerações atuais, sem colocar em risco a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades.

Tal definição sugere um processo de mudança em que os recursos naturais, a gestão dos investimentos, as diretrizes da evolução tecnológica e as mudanças institucionais concretizem o pleno atendimento das necessidades presentes e futuras.

A Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, postula o seguinte princípio: os seres humanos estão no centro das preocupações do desenvolvimento sustentável. Com esse ideal, a Agenda 21 foi elaborada e aprovada na Conferência do Rio. Por meio desse documento, foi prefigurada, segundo Leff, uma política para a mudança global que busca anular as contradições entre desenvolvimento e meio ambiente.

Representantes de Estado na Conferência do Rio

Na lógica dos princípios econômicos de viés capitalista, os recursos naturais seriam valores medidos pelos mecanismos de mercado. Na natureza, sustentável envolve a recuperação dos sistemas naturais e a sujeição às suas leis de retorno. Sustentável, para o mercado, envolve a garantia de suprimentos de matéria-prima, o escoamento da produção, a acumulação de capital e o retorno do investimento.

O crescimento de mercado e dos modos de produção à custa dos recursos naturais sem limites ocorre acelerado no caminho da crise de sustentabilidade. Faz-se necessário que os mercados e os modos de produção se transformem na lógica do retorno à natureza. Nesta, deve estar incluída a proteção de seu mais rico patrimônio: o ser humano, seus bens culturais e morais, paisagísticos e sociais. O ser humano agente e beneficiário do desenvolvimento econômico.

Nessa discussão, é importante mencionar o Relatório “Água para Todos, Água para a Vida”, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2003. O documento foi elaborado como decorrência do diagnóstico sobre a crise mundial da água, indicado pela ONU; informa que no ano de 2050 serão 7 bilhões de pessoas em 60 países sofrendo com a escassez da água, caso o aspecto econômico se sobressaia em detrimento do ecológico.

O fator produtividade, bem o sabemos, privilegia a quantidade em detrimento da qualidade, e isso fez desnudar extensas regiões da Terra de sua camada vegetal protetora. O uso de fertilizantes químicos, de herbicidas e de inseticidas empobrecem as terras e matam espécies vegetais e animais necessárias ao equilíbrio do meio ambiente. Tal situação promove um meio ambiente doentio, comprometendo a saúde das pessoas.

Diante de aspectos como esses e um nível de maior conscientização por parte de grupos sociais atuantes, as dimensões do desenvolvimento tornaram-se mais amplas, de modo que aparece hoje como um conceito pluridimensional, abrangendo o viés econômico, social, ecológico e político.

Frente ao exposto, podemos afirmar que o conhecimento – apesar do desenvolvimento da ciência e da tecnologia – enfrenta dilemas em termos de valores e expectativas. Assim, é necessário que o saber e as conquistas estejam sempre a favor do homem e da natureza. Qualquer proposta de desenvolvimento deve ser analisada em todas as perspectivas (políticas, econômicas, ambientais, culturais, sociais) e consequências a longo prazo, pois resultados imediatos só serão válidos se apresentarem coerência com o futuro.

Redação: AtoEscrito

FONTES

DIAZ, Alberto P. Educação ambiental como projeto. Trad. Fátima Murad. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis (RJ): Vozes, 2001.

IMAGENS: reprodução

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