Exposição “As Meninas do Quarto 28”: mensagem de amizade e esperança

A mostra itinerante “As Meninas do Quarto 28” já foi vista na Alemanha, Áustria, República Tcheca, Israel, Inglaterra e no Brasil, entre outras nações. Relembra momentos vividos por um grupo de meninas judias, de 12 a 14 anos. Elas viveram em um gueto instalado em Theresienstadt, a noroeste de Praga, Tchecoslováquia, durante a Segunda Guerra Mundial.

No Quarto 28 do alojamento para mulheres L410, ficaram aprisionadas em torno de 60 meninas. Estando em condição de vida profundamente desumana, foram protegidas por prisioneiras adultas que utilizaram conhecimentos e experiências para propiciar às menores momentos de alívio e esperança.

Conforme as normas do gueto, as meninas acordavam por volta das 7 horas. Fazia parte de suas obrigações ventilar as roupas de cama e cobertores, fazer a faxina, buscar o almoço e prestar alguma assistência às pessoas idosas.

Os nazistas proibiram as crianças de estudar, sendo permitido apenas aulas de pintura e desenho. No entanto, escondidas dos oficiais alemães, aquelas que viviam no Quarto 28 tinham aulas de matemática, história e geografia no turno da tarde.

No mês de dezembro de 1942, a artista plástica Friedl Dicker-Brandeis e seu marido, Pavel, foram enviados para Theresienstadt. Lá, ela ministrou aulas de desenho, adotando métodos que se tornariam a base da arteterapia. Em outubro de 1944 foi deportada para Auschwitz, onde morreu.

No gueto de Theresienstadt, as pessoas se empenhavam para que as crianças tivessem cuidadoras. As do Quarto 28 eram Eva Weiss, Eva Eckstein, Laura Šimková, Rita Böhm e Tella Pollak, das quais as sobreviventes guardam lembranças e lições de amizade e solidariedade.

As meninas criaram entre si uma sociedade denominada Ma’agal (círculo, perfeição, em hebraico). Fizeram um pacto de amizade, criaram um hino, lema e bandeira. No final da guerra, somente quatro moravam nesse quarto. Elas cortaram a bandeira e cada uma ganhou um pedaço. Planejaram costurar as partes após a guerra. No entanto, das quatro que lá permaneceram, somente Anna Flachová sobreviveu. Anos mais tarde, a bandeira foi reconstruída a partir do pedaço pertencente a ela, com a participação de outras sobreviventes que foram transferidas para outros locais.

Os desenhos são vestígios da história vivida. Foram encontrados mais de 3 mil e pertencem ao Museu Judaico de Praga. O desejo das sobreviventes do Quarto 28 e da jornalista alemã Hannelore Brenner, autora do livro que tem o mesmo titulo da mostra, é tornar essa história conhecida pelas futuras gerações.

A brasileira Karen Zolko descobriu que sua tia, Erika Stránská, viveu no Quarto 28 e depois foi deportada para um campo de extermínio. Muitos de seus desenhos encontram-se no museu. Stránská foi uma das 60 protagonistas de uma bela história de amizade. As meninas criaram fortes laços de solidariedade, respeito e esperança. Esta é uma das mensagens presentes na exposição que, segundo a curadora Roberta Sundfeld (2014:5), “é mais do que o retrato de um tempo nefasto, é uma celebração da amizade”.

Após essas considerações, apresentamos alguns desenhos feitos pelas meninas judias:

Redação: AtoEscrito


REFERÊNCIA

BRASIL. As Meninas do Quarto 28. (Exposição). Ministério da Cultura, 2014.

Imagens: reprodução

 

 

 

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