Vida e beleza da fauna brasileira

O Brasil é o país da América do Sul com a maior diversidade de aves; abriga o maior número de anfíbios, primatas e animais vertebrados de todo o planeta. As espécies encontram-se distribuídas na selva amazônica, nas caatingas, campos, cerrados e florestas em geral.

Para garantir a preservação dos espaços naturais e proteger a riqueza da fauna brasileira, precisamos dedicar maior atenção e refletir sobre as seguintes ocorrências: construção de barragens para as hidrelétricas, poluição das águas dos rios, comércio ilegal de animais silvestres e retirada de plantas. Pesquisadores da área de Biologia reforçam que não podemos demorar para tomas as atitudes cabíveis, pois animais e plantas diminuem a cada dia.

A proteção ambiental depende de cada um de nós e resulta de fatores interligados: educação, legislação, sensibilidade e compromisso ético. Foi com essa compreensão que buscamos informações para este post com a finalidade de apresentar uma pequena amostra da beleza da nossa fauna.

1- Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)

A arara-azul-de-lear vive na Caatinga. A refeição preferida dessas araras são os coquinhos da palmeira licuri. Quando o dia amanhece, elas voam até o local onde ficam as palmeiras e partilham os frutos. Com o bico, abrem os coquinhos e comem a polpa. No papo, guardam uma parte da comida para seus filhotes.

Sendo de rara beleza, muitas foram capturadas e vendidas, o que causou o risco da extinção. Hoje, existe um grau maior de conscientização no sentido de preservar a espécie.

2- Ema (Rhea americana)

A ema é a maior das aves existentes no Brasil. Suas asas não são utilizadas para voar, mas tem outras utilidades: os machos atraem a atenção das fêmeas abrindo as asas; nos momentos de perigo, são abertas para equilibrar o corpo e correr.

Os machos são muito dedicados aos filhotes. A fêmea põe os ovos e o macho choca-os. Quando nascem, essas aves já estão prontas para andar e seguem o pai que as conduz a lugares onde há comida. Em momentos quentes do dia, ele leva os filhotes até um córrego e bebem água. O macho procura manter todos reunidos, além de protegê-los dos animais caçadores.

3- Furão (Galictis cuja)

Este é um animal ágil ao caminhar, escalar ou nadar. Um alimento de que gosta bastante é a melancia. Quando precisa descansar, procura espaço entre as rochas ou cava uma toca. Está sempre acompanhado de um ou mais furões.

4- Irara (Eira barbara)

A irara percorre a floresta durante o dia inteiro, mas fica mais ativa ao amanhecer e ao anoitecer. Sendo bastante ágil, sobe e desce nas árvores com facilidade e alcança animais pequenos dos quais se alimenta. Frutos silvestres adocicados também são seus alimentos.

Para se abrigar, utiliza-se de um tronco oco no alto de uma árvore ou cava um buraco próximo das raízes. Amamenta e protege os filhotes sem a companhia do pai. Após vários dias de amamentação, passa a alimentá-los com o que encontra nos arredores. Em momento posterior, os filhotes acompanham a mãe que lhes ensina a caçar. Com menos de um ano de vida, passam a viver sozinhos. A irara é também conhecida pelo nome de papa-mel.

5- Cuíca-d’água (Chironectes minimus)

A cuíca-d’água vive em matas próximas dos rios, lagos e córregos. Alimenta-se de pequenos peixes, caramujos, pererecas, insetos e plantas aquáticas, entre outros.

A fêmea tem uma bolsa na barriga, denominada marsúpio. Ali, a mãe carrega os filhotes recém-nascidos e amamenta-os. O marsúpio é um local tão seguro que a mãe pode até nadar sem molhar os animais novos.

6- Maguari (Ciconia maguari)

O maguari é uma ave encontrada em grande parte da América do Sul. No Brasil, é comum no Pantanal e no Estado do Rio Grande do Sul. Uma das maiores aves brasileiras, é também conhecido pelos nomes de joão-grande e cegonha. Alimenta-se de peixes, cobras, rãs e caramujos.

7-Narceja (Gallinago paraguaiae)

A narceja vive perto de açudes, lagos e praias. Com o bico bastante comprido, procura alimentos na areia molhada e na lama. Mesmo passando bastante tempo com a cabeça abaixada tentando encontrar os alimentos, consegue observar o que acontece ao seu redor e se protege, pois seus olhos são posicionados longe do bico. No capinzal, o casal de narcejas faz o ninho e cuida dos filhotes.

8- Onça-parda (Puma concolor)

Conhecida como suçuarana e leão-baio, a onça-parda é um animal ágil para caçar e subir nas árvores. É mais ativa à noite e bastante arredia, o que dificulta a observação dos pesquisadores. Tamanduás, tatus e porcos-do-mato fazem parte do seu cardápio.

9- Urutau (Nyctibius griseus)

Trata-se de uma ave que as pessoas têm dificuldade de enxergar, pois se confunde com a paisagem. O urutau passa o dia imóvel, dormindo; somente à noite sai para caçar mariposas.

Pai e mãe não constroem ninhos. Na ponta de um galho com cavidade, revezam-se para chocar o ovo e cuidar do filhote.  Esta ave é também conhecida como mãe-da-lua.

10- Tecelão (Cacicus chrysopterus)

O tecelão constrói bonitos ninhos de ramas vegetais que ficam suspensos nas árvores. Lá, são criadas três aves novas. Com o bico pontiagudo, retira bichinhos existentes em pedaços de madeira podre para se alimentar. Utiliza também frutas, folhas e flores.

11- Zogue-zogue (Callicebus brunneus)

Os zogue-zogues são macacos que vivem nos biomas da Floresta Amazônica e na Mata Atlântica. Um detalhe interessante do comportamento deles é o canto. Nas primeiras horas da manhã, os casais exibem seus cantos para comunicar que vivem em determinados pontos da floresta. Eles permanecem unidos por toda a vida e a cada ano nasce um filhote.

12- Guaxinim (Procyon cancrivorus)

Também conhecido como mão-pelada, esse animal caminha na mata durante a noite à procura de alimentos: frutos silvestres, caranguejos e peixes. Passa a maior parte do tempo no chão, mas sobe em árvore com rapidez quando percebe que há perigo ao redor.

13- Quiri-quiri (Falco sparverius)

O quiri-quiri é o menor dos falcões e uma das menores aves de rapina do Brasil. Vive nos campos, cerrados e plantações. Costuma pousar em cercas para observar ao seu redor na tentativa de caçar insetos e pequenos animais.

Para acontecer o acasalamento, o macho corteja a fêmea presenteando-a com uma presa que capturou; e isso ele faz durante o voo. Juntos, procuram um local para o ninho e chocam os ovos.

14-  Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Em tupi-guarani, guará significa vermelho. Daí a origem do nome. O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul e é típico do cerrado. As orelhas e a alta estatura fazem com que seja capaz de perceber, à distância, onde estão suas presas: tatus, gambás, gafanhotos, rãs e aves.

Embora esse animal viva de forma solitária, o mesmo casal de lobos se encontra uma vez ao ano e, unidos, cuidam dos bichinhos  novos. Quando estes crescem, o casal se separa.

15- Jupará (Potos flavus)

O jupará é um mamífero noturno, encontrado do México ao Nordeste do Brasil, mas principalmente na Amazônia. Vive no alto das árvores e é muito parecido com os macacos. Dorme durante o dia em locais seguros, como os troncos ocos das árvores; sai à noite para procurar os alimentos que compõem seu cardápio: frutos, flores, larvas de insetos, besouros e mel.  É parente próximo do quati e mão-pelada.

16- Harpia (Harpia harpyja)

Esta é a maior das águias que vivem em nosso país; é também conhecida como gavião-real. As harpias são habitantes da Amazônia, pois necessitam de extensas florestas. Gostam de pousar no galho de uma árvore e observam ao seu redor, voam com agilidade e têm garras fortes.

Para a reprodução, a fêmea choca os ovos e cuida dos filhotes; o macho se encarrega de trazer os alimentos. O crescimento populacional é lento. Tal fato, associado à destruição de áreas florestais e à caça indiscriminada, faz com que a espécie seja ameaçada de extinção.

17- Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis)

O boto-cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce; vive nos rios da Amazônia e é conhecido também como boto-vermelho. Mãe e filhote nadam juntos e permanecem unidos durante o período da amamentação. Com outros botos, podem se reunir em locais onde há peixes, facilitando a pescaria. Em seguida, cada um se desloca para onde quer. Sua dieta inclui tartaruga e caranguejo. Na época das chuvas, há uma maior oferta de alimentos em determinadas áreas da floresta.

18- Pirarucu (Arapaima gigas)

Eis um dos maiores peixes fluviais do Brasil. É encontrado geralmente na Amazônia, em áreas onde as águas são mais calmas. Seu nome origina-se de dois termos tupis: pirá, que quer dizer peixe e urucum, que significa vermelho.

Os machos se tornam mais vermelhos e também mais bonitos na época do acasalamento. Macho e fêmea cuidam dos ovos. Após o nascimento, o pai estimula os peixes novos a nadarem.

Mesmo sendo uma espécie resistente, o pirarucu é vulnerável à ação de pescadores, dadas as características ecológicas e biológicas. Os cuidados com os ninhos após a desova e a necessidade de emergir para respirar expõem os reprodutores à captura com redes de pesca. A imaturidade dos filhotes propicia a captura destes por predadores naturais como as piranhas. Ocorrências como essas diminuem o sucesso reprodutivo da espécie.

Redação: AtoEscrito



REFERÊNCIAS

SANTOS, Cristina. Abecedário da Natureza Brasileira. São Paulo: Cortez, 2014.

www.brasil.gov.br. Acesso: 28 de set. 2015.

pt.wikipedia.com.br. Acesso: 29 de set. 2015.

IMAGENS: reprodução de vários sites.

 

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